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Explicando como a gente esquece o que estudou.

Por 29/03/2022abril 4th, 2022Dicas, Técnicas, Videos

Olá! Meu nome é Diogo Moreira, sou Auditor Fiscal da Receita Federal e estou aqui para te ajudar a sair dessa “vida bandida” que é estudar para concurso.

Eu sempre digo que estudar para concurso é bem diferente de como estudávamos para faculdade ou escola. Mas por quê? Nesse vídeo, eu explico como é o funcionamento da nossa memória fazendo uma analogia com copos. Entenda como esquecemos e o que fazer para esquecer o mínimo possível daquilo que você estuda. Confira!

 

Estudar para concurso público é diferente de como você aprendeu a estudar. Por quê?

 

 

Porque o desafio é maior. São mais matérias, essas são mais difíceis e mais extensas. Não é igual a fazer uma prova bimestral, e não é igual fazer uma prova da faculdade. O buraco é mais embaixo.

Nesse vídeo eu tentarei te explicar porque o buraco é mais embaixo, e de que forma você entende e aplica na sua realidade a diferença de um estudo para concurso público. Façamos de conta que aprender uma aula ou uma matéria é igual a encher um copo.

À medida que você estuda preenche esse copo com água. Quando falamos de estudar para concurso estudamos seis, oito, dez, quinze ou vinte matérias ao mesmo tempo dependendo do seu nível – do quanto você está avançado em cada matéria. Mas vou falar de cada matéria.

O copo é apenas de uma aula. Você pega a matéria de Direito Administrativo, esta tem quinze aulas. Cada copo representa uma aula. E à medida que você lê, enche esse copo de conhecimento. E à medida que lê, sobe e enche o copo.

Mas quando você estava na faculdade ou na escola, conseguia encher esse copinho na véspera. Uma ou duas noites antes você virava a noite. Tomava um Red Bull, um cafezinho e ficava sem dormir. Enchia esse copinho dois dias antes, fazia a prova, tirava uma nota satisfatória e era aprovado.

 

Isso funcionou durante toda a sua vida na escola.

 

Funcionou, provavelmente, na faculdade – talvez na faculdade tenha feito até pior. Mas na hora de estudar para concurso não funciona. Porque são vários copinhos. Então a coisa começa a ficar um pouquinho mais interessante e um pouquinho mais complicada.

Quando você estuda uma matéria para concurso não tem dedicação exclusiva a essa. Você tem, por exemplo, quinze matérias para estudar daquele concurso. Direito Administrativo, Constitucional, Português, Matemática, Informática… Várias matérias ao mesmo tempo.

Não dá para levar uma de cada vez e não dá para aprender na véspera. O seu concurso será no dia X e cobrará todas as matérias ao mesmo tempo. Então você precisa encher os vários copinhos aos poucos e ao mesmo tempo. Qual é o problema de fazer o que você fez na escola e na faculdade?

Aquilo que você fazia se chama prática intensiva. Era quando você ficava focado numa aula – como eu falei anteriormente – enchendo esse copinho na véspera. E ficava só nele um tempão.

Enchia o copinho e falava “Aprendi! Estou sentindo que aprendi todo o conteúdo dessa aula 0, ou dessa aula 1, do meu material de Direito Administrativo. Agora que aprendi tudo, irei para a aula 2.”

Ou pior: “Estudei Direito Administrativo inteiro. Fiquei quarenta e cinco dias estudando só Direito Administrativo e aprendi tudo. Vou para a próxima matéria.” Qual é o problema disso?

Você leu a primeira aula, por exemplo, e foi para a segunda. À medida que você enche o seu conhecimento – o seu copinho de conhecimento da segunda aula – simultaneamente, esvazia o copinho de conhecimento da aula anterior. Porque você perde conhecimento.

À medida que você não estuda e não revisa aquilo, esquece algumas coisas. E vai para o terceiro copinho, e à medida que foi lendo, estudando, talvez até fazendo uma revisão desse terceiro copinho, o primeiro baixou um pouquinho mais – mais devagar mas baixou. O segundo copinho deu mais uma baixada relevante.

No quarto copinho você leu a aula 3 de Direito Administrativo. Conseguiu ler e foi até o final. Fez algumas revisões, e esqueceu mais algumas coisas. Agora esqueceu um pouquinho mais da aula 0, mais um pouco da aula 1, e um bocado de coisas da aula 2. Tudo enquanto lê a aula 3.

 

Essa é a realidade de estudar para concurso.

 

Você avançará em várias aulas de várias matérias, e ao mesmo tempo. Isso é o que acontece. E é por isso que a prática intensiva, que você aprendeu na escola e na faculdade – ou melhor, jogaram em cima de você – não funciona.

Precisamos chamar a atenção para algumas coisas. Primeiro, o copinho esvazia. Se você fica um tempo sem revisar uma aula, o copinho esvazia. E isso é normal e inevitável. O segundo é: a velocidade com que o copo esvazia muda dependendo de como você estuda e de como revisa.

Então você viu-me falar inicialmente da chamada prática intensiva. É aquilo que falei inicialmente, isto é, ficar num copinho durante muito tempo. Não é boa. O copinho enche e esvazia muito rápido. A prática intensiva é ficar somente numa matéria, ou somente numa aula, durante muito tempo.

Quero chamar a atenção para outra coisa da prática intensiva. Eu acabei de falar que ficar numa aula só durante muito tempo é ruim. Por causa do perfeccionismo.

Voltemos na primeira aula – aula 0. Você ficou lá preenchendo cada buraquinho daquela aula e entendendo muito bem cada detalhe. “Eu irei para a aula seguinte apenas depois que aprender 100% dessa aula. Vou aqui na minha prática intensiva até encher esse copo.”

 

Você gasta mais tempo do que o normal.

 

Está fazendo uma super prática intensiva. Encheu o copinho, mas gastou mais tempo do que o normal. E acredite, o copinho que enche dessa forma – com muita intensidade e com muito foco – também esvazia mais rápido. Você aprende mais conteúdo mais rápido, mas também esquece mais rápido. E há outro problema muito grave em fazer isso.

Quando você faz isso no segundo copinho, e sobe devagarinho, cada detalhe, pegando cada exceção, e cada decorebazinha, fica mais tempo nesse segundo copinho. Ou seja, você fica mais tempo ainda sem revisar o primeiro copinho.

E ele esvazia ainda mais. Imagine quando você estiver lá no copinho 10 ou no copinho 15. Você já não lembrará de mais nada desses copinhos iniciais – dessas aulas iniciais -, porque tem muito tempo que não revisa as aulas.

Ou seja, se você for perfeccionista, quanto mais preocupar-se em aprender tudo de determinada aula, mais esquecerá as aulas anteriores, mais devagar avançará e de mais revisões precisará. E ao fazer mais revisões você avançará ainda mais devagar.

 

Vira uma bola de neve. Um ciclo vicioso.

 

Você entrará numa espiral descendente e cairá no buraco negro da desmotivação. Sim, a desmotivação é um buraco negro. Você não sabe o que está a sua volta, não sabe como foi parar lá e, principalmente, não sabe como sairá dele.

Então, não seja perfeccionista. É por isso que você já me viu falando no YouTube e no Instagram “feito é melhor do que perfeito.” Aprenda o suficiente. Encha o copinho de um jeito legal o suficiente para entender aquele assunto e siga para o copinho seguinte.

Não fique tempo demais preso a um copinho, porque quanto mais você demora para passar para os últimos copinhos, mais esquecerá. Mantendo essa mesma analogia: se encheu todos os copinhos, leu todas as aulas, você terá somente que preencher copinho a copinho.

Um pouquinho de cada vez, depois volte em todos os copinhos. Então você enche mais um pouquinho, depois mais um pouquinho – isso com a matéria finalizada.

Veja que interessante: todos os copinhos esvaziaram um pouco. À medida que você foi do primeiro para o segundo, terceiro, quarto, quinto, sexto, esqueceu algumas coisas das aulas anteriores. Mas com a matéria toda finalizada você consegue passar rapidamente por cada matéria e preencher um pouco.

Você joga um pouquinho mais naqueles copinhos, vai do primeiro até o último rapidamente – não precisa encher um desses novamente. Passa várias vezes por eles. Isso é feito por múltiplas revisões. Quanto mais você revisa a matéria, mais enche o copinho dela – daquelas aulas -, mais preenche as lacunas de conhecimento. Parece óbvio, mas não é.

Outro ponto importante disso. Esse preenchimento é como se fosse um shot de tequila. Esse preenchimento pode ser de duas formas. Você pode revisar um conteúdo que já domina. Então é chover no molhado e botar uma água que já estava ali. É preencher com a tequila batizada.

 

Ou você pode focar em coisas que de fato esqueceu. E isso é sutil.

 

É importante manter em mente. Quando você preenche o copo – quando revisa naquele assunto – pode revisar coisas que já aprendeu – o que significa preencher pouca coisa naquela aula ou nada. Ou pode focar cada vez mais em coisas que não aprendeu direito.

Nesse primeiro copinho seria, a cada vez que passa, aproveitar melhor o seu tempo. Você passa rapidamente naquele assunto, mas joga o conhecimento de volta para dentro da cabeça. Você enche mais o copinho. Porque está focado cada vez mais nas suas dificuldades – no que está esquecendo e nas decorebas.

E essa é uma diferença importante. Quem faz um estudo desde o início para concurso de forma desorganizada não sabe o que revisar e nem como revisar – mesmo com a matéria finalizada. E acaba revisando coisas que já sabe. “Eu resumi a matéria toda.” Sem critério algum? Resumiu coisas que já sabe?

“Mas isso é muito importante, Diogo. Eu vi que cai em várias provas.” Mas você já aprendeu isso ou não? “Já… Não é tão complicado mas é muito importante.” Então, se você revisa detidamente, gastando tempo com uma coisa que já aprendeu, não está usando bem o seu tempo.

Você precisa focar cada vez mais nas suas dificuldades, assim, cada passada num copinho desses adicionará muito mais conteúdo de volta, preencherá muito mais esse copinho do que simplesmente revisar ao léu.

 

Como você otimiza esse uso do tempo?

 

Caderno de erros ou flashcards. Basicamente focar naquilo que está errando e esquecendo. As questões são o melhor indicativo do que você sabe ou não. Se você errou a questão, podemos assumir que você não sabe. Se acertou, você sabe.

É uma forma objetiva de medir e, acredite, funciona muito bem. É muito melhor do que sentimento “eu acho que sei isso. Acho que sei aquilo.” Na hora da prova o que você acha não faz a menor diferença. O que fará diferença é acertar ou não a questão.

Como eu falei, a prática intensiva é ruim porque você aprende e esquece muito rápido. Seu copo esvazia rápido demais. Outro aspecto importante do estudo que eu já falei várias vezes no canal e no Instagram é a recuperação ativa.

A forma como você revisa, fazer uma revisão ativa, ajuda a manter aquele conhecimento na memória durante mais tempo. Em outras palavras, o seu copinho esvazia mais devagar. Se você fizer uma revisão ativa, o copinho esvaziará mais devagar. Revisão ativa é quando há um esforço, quando você puxa da memória para lembrar de uma informação.

Quando falamos de estudar para concurso a coisa mais simples e mais prática é fazer questões de concurso e de provas anteriores. Existem sites de questões, materiais em PDFs de cursinhos que oferecem centenas ou milhares de questões. Use isso para fazer suas revisões.

 

Não há porque fazer resumo – um material que já está escrito.

 

Os PDFs já são muito objetivos, então não há porque fazer isso. E quando você faz um resumo, geralmente não relê, e se reler, fará uma revisão passiva. Isso não favorece a memorização de longo prazo. O seu copinho esvaziará mais rápido.

Na dúvida, faça uma revisão ativa. Faça uma recuperação ativa via questões. Lembre-se, se ficar muito devagar em uma aula tentando pegar cada detalhe – se for perfeccionista – demorará muito a finalizar aquela aula e aquela matéria. E esquecerá o conteúdo das aulas antigas. E esquecendo o conteúdo, já era, você não passará no concurso.

Então feito é melhor do que perfeito. Siga para as aulas seguintes, finalize a matéria toda. Porque manter o conhecimento de uma matéria finalizada e focar cada vez mais nas suas dificuldades para elevar o seu percentual de acerto é muito melhor.

Feito é melhor do que perfeito. Toque o barco, finalize essa matéria, deixe-a no modo revisão – preferencialmente via questões. Essa é uma forma bastante ativa de revisar, e muito prática.

Fazendo questões você inclusive revisa em geral, não só suas dificuldades, mas a questão apontará “é isso aqui que você errou. Aqui está a sua dificuldade.” E você jogará esses erros para um caderno de erros, ou para flashcards, que também é uma ferramenta de revisão ativa bem interessante.

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Muito obrigado e até a próxima!

 

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Deixe seu comentário 2 comentários

  • jacqueline de assuncao soares disse:

    Professor, muito feliz e grata por ter assistido a esse vídeo. A cada vídeo que assisto seu, identifico os meus erros. Excelente didática e análise. Obrigada.

  • Giovana disse:

    Decidi concurso como meu projeto de vida e comecei a estudar sério pra concurso agora com 20 anos, após eu ter passado na faculdade em 2020 com o Enem 2019 eu parei total de estudar e abrir sequer um livro por dois anos. Escolhi você com meu guia inspiração de estudar, adoro sua metodologia e sou grata por ter te conhecido, percebi que você é um homem muito sincero, prático, organizado e honesto, por isso estou fazendo de você meu tutor e decidi que vou aplicar suas dicas nos meus estudos a partir de hoje. Gratidão e sucesso Diogão 😀

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